terça-feira, 19 de abril de 2022
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Crea-ES teme pela estrutura de prédio no calçadão da Areia Preta, em Guarapari

O presidente do  Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea–ES), Jorge Silva, afirmou hoje (21) que o órgão está apreensivo com o processo de erosão do calçadão da Praia da Areia Preta, em Guarapari, porque teme possíveis consequências para a estrutura física do Condomínio Solar do Atlântico, próximo ao trecho do calçadão. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (21) à Rádio CBN Vitória.

Jorge Silva disse que as previsões de temporal para o litoral capixaba trazem ainda mais preocupação, já que ondas fortes e muito vento podem piorar o processo de erosão do calçadão, minando a estrutura dos pilares do prédio.

“A obra foi mal feita, não observando uma série de medidas que são imprescindíveis para a sustentação da estrutura. Hoje está tudo bem, mas amanhã não sabemos, pois as variantes dependem do tempo. As obras ali precisam ser mais que emergenciais”, afirmou o presidente do Crea-ES.

Ainda de acordo com o engenheiro, a situação evoluiu e o muro já começou a se deslocar. Com isso, aumentaram os riscos para a população que circula na região e para os empreendimentos no entorno.

A Prefeitura de Guarapari acatou a preocupação do presidente do Crea-ES e começou uma obra de enrocamento da estrutura que está em colapso. Ainda de acordo com a Prefeitura, a EDP, concessionária responsável pelo fornecimento de energia, foi acionada para fazer o desligamento da rede elétrica. Um restaurante que funcionava no térreo do condomínio ameaçado também foi interditado e alguns móveis e máquinas retirados do local.

O secretário de Obras do município, Emanuel de Oliveira Vieira, disse que o enrocamento consiste na colocação de pedras para a contenção imediata da parte que desmoronou, além do preenchimento com concreto. Ainda de acordo com o secretário, uma empresa de engenharia será contratada de forma emergencial para tocar as obras.

“Essa obra demora uma semana e é emergencial. Dentro de 60 ou 90 dias teremos uma obra definitiva, robusta e que contenha os riscos de desabamento. A obra desse calçadão é bem antiga e o colapso da estrutura, muito próxima ao mar, aconteceria mais cedo ou mais tarde”, afirmou.

Apesar do alerta do Crea-ES, a Secretaria de Obras de Guarapari não vai pedir a imediata evacuação do condomínio, mas mantém um monitoramento diário da estrutura.

“Estamos monitorando, mas não vemos necessidade agora de retirar os moradores, aumentando ainda mais o transtorno”, disse o secretário.

Ainda de acordo com Emanoel, a parceria com os órgãos de engenharia tem sido fundamental para que as decisões sejam tomadas com o todo o cuidado técnico que a situação exige, já que vidas humanas estão envolvidas.

Histórico

Em menos de uma semana as pequenas rachaduras que começaram a aparecer no trecho do calçadão da Areia Preta, em Guarapari, evoluíram rapidamente para fendas com 40 centímetros de largura. Em 24 horas a estrutura entrou em colapso e as rachaduras já apresentavam uma distância de 80 centímetros de um lado a outro. Mesmo com a interdição, parte da estrutura veio abaixo, deixando moradores, turistas e banhistas preocupados.  A circulação de pedestres, além do acesso de moradores de um prédio que possui uma entrada pelo calçadão, estão proibidos por questões de segurança.

De acordo com o Crea-ES, a obra é antiga e já deveria ter passado por uma avaliação pelos órgãos de fiscalização. A Defesa Civil de Guarapari só resolveu interditar o trecho após as constatações e avaliações dos técnicos do Crea-ES, que culminaram num relatório de interdição.

“Caso não seja realizada uma ação imediata, novos desabamentos irão ocorrer e  poderão expor parte da estrutura da fundação do edifício em contato com água marinha e sua dinâmica de turbulência, agravando a situação e trazendo riscos para a própria edificação e para a população no entorno”, diz trecho do documento entregue ao prefeito e protocolado na Prefeitura de Guarapari.

 

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