quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Morre o cáustico e irônico Arnaldo Jabor, expoente do Cinema Novo

Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor, jornalista e cineasta que fez parte da geração do Cinema Novo, morreu na madrugada desta terça-feira. Jabor estava internado desde o dia 17 de dezembro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sofrer um acidente vascular cerebral. De acordo com a família, a causa da morte foram complicações do AVC. Boletim médico do fim de dezembro passado apontava uma melhora progressiva de seu quadro neurológico, mas ele não resistiu.

Sua faceta mais conhecida foi a de comentarista nos telejornais da TV Globo, função que exercia desde os anos 1990. Seus comentários eram sempre cáusticos e irônicos, o que lhe valeu a fama de polemista.

Após um período como crítico de teatro e cinema no jornal O Metropolitano, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), e na revista Movimento, começou no cinema por influência do amigo e cineasta Cacá Diegues. Jabor foi expoente no movimento do Cinema Novo, que buscava retratar a realidade do povo brasileiro nas telas de cinema.

O começo de Jabor foi numa segunda fase do movimento, estreando com dois curtas documentais, “Rio, Capital Mundial do Cinema” e “O Circo”, ambos de 1965. Seu primeiro longa-metragem, “A Opinião Pública”, estreou em 1967. Com influência do “cinema verdade” italiano, o filme introduziu o som direto no cinema brasileiro, e é um retrato da classe média do Rio de Janeiro.

Em 1970 lançou “Pindorama”, sua primeira ficção. O filme foi um fracasso de bilheteria. Seu filme seguinte, “Toda Nudez Será Castigada” (1973), adaptação da peça de mesmo nome do autor Nelson Rodrigues, teve melhor sorte. Um baluarte do que ficaria conhecido como pornochanchada, o longa foi um sucesso de bilheteria.

Jabor mais uma vez adaptaria uma obra de Nelson Rodrigues, dessa vez um romance. “O Casamento”, de 1975, foi outro sucesso envolto em polêmicas, como a dúvida sobre a sexualidade de um dos personagens.

No fim da década de 1970 e durante a década de 1980, Arnaldo Jabor não parou de produzir. Em 1978 lançou o que considerava seu melhor filme, “Tudo Bem”, uma alegoria sobre o jogo de classes no Brasil. Em 1981 veio seu maior sucesso, “Eu Te Amo”, com Sônia Braga; em 1986, lançou “Eu Sei Que Vou Te Amar”, indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Em 1990 lançou mais um curta, “Carnaval”. Depois disso, só lançaria um novo longa em 2010, “A Suprema Felicidade”.

Em viagem a São Paulo na década de 1990, Jabor encontrou o jornalista Fernando Gabeira e pediu uma oportunidade para voltar ao jornalismo. Entrou na Folha de São Paulo, com a qual colaborou por dez anos. Em paralelo à direção de filmes publicitários, colaborou também com jornais como Zero Hora e O Globo.

Além das colaborações com o jornal, Jabor entrou para o telejornalismo da Rede Globo, em que participou como comentarista no Jornal Nacional, Jornal da Globo e Bom Dia Brasil, além da rádio CBN.

Bem à moda da internet, circulam pela rede diversos textos com autoria atribuída a Arnaldo Jabor. Em 2009, num texto publicado em O Tempo, Jabor falou sobre o assunto, negando a autoria de vários desses escritos “apócrifos”. Além disso, ele reforçava que a era digital não lhe apetecia.

Jabor também foi autor de alguns livros. Coletâneas de textos seus, como “Os Canibais Estão na Sala de Jantar” (1993), e “O Malabarista – Os Melhores Textos de Arnaldo Jabor” (de 2014, seu último livro publicado”) fizeram grande sucesso.

A obra “Amor É Prosa, Sexo É Poesia”, compartilha seu nome com o trecho de uma letra que Rita Lee escreveu a partir de artigo de Jabor de mesmo nome.

Arnaldo Jabor

Foto de arquivo de 08/4/2016 do cineasta e jornalista Arnaldo Jabor, de 81 anos.

Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo/Arquivo

https://movnews.com.br/cotidiano/2022/02/ate-r-1-21200-abono-salarial-do-pasep-comeca-a-ser-pago-nesta-terca-15/

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