quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Pastoral do Povo da Rua expõe necessidades além da fome e da reintegração

Um olhar focado no próximo tem feito a diferença para a população que mora nas ruas de Vitória. As ações da Pastoral do Povo de Rua, uma iniciativa coordenada pelo Vicariato da Ação Social da Arquidiocese de Vitória tem tirado gente das ruas e até conseguido reintegração às famílias. 

No início de fevereiro, Jaques Ribeiro de Souza, 46 anos, voltou para a sua família após 22 anos de afastamento graças à intervenção da Pastoral.  Esta não é a primeira vez que a Arquidiocese consegue concretizar um caso de reencontro familiar. 

O coordenador da Pastoral, Júlio César Pagotto,, explica que este resultado é fruto da relação de confiança gerada por meio da convivência dos membros da pastoral com os moradores de rua. 

“Para essas pessoas chegarem ao nível de falar ‘eu quero encontrar minha família’ é porque já existe o mínimo de vínculo. Às vezes as pessoas perguntam ‘você quer sair da rua? e elas respondem ‘não’ porque não querem admitir para quem nem conhecem que estão em uma situação difícil. Quando você passa a conhecer a pessoa e vê que ela quer seu bem, você se abre mais”, concluiu. 

É por meio dessas conversas pessoais que a Pastoral do Povo de Rua pode ouvir as reais necessidades e assumir uma posição política dentro das Prefeituras e do Governo do Estado em prol das lutas que os moradores de rua enfrentam diariamente. Júlio lista pautas importantes que são levadas ao Poder Público, mas que, ainda, estão sem solução.

Restaurantes Populares

Os restaurantes populares são lugares onde refeições são oferecidas a pessoas em situação de rua e domiciliados, que não têm o que comer, de forma gratuita. Essa pauta é defendida pela Pastoral junto com outras organizações sociais e segundo o coordenador Júlio César Pagotto será levada ao Poder Público como um projeto a ser revisado e contemplado em todos os municípios da Grande Vitória. 

“O que estamos vivendo em nosso país é inimaginável. Voltar para o mapa da fome com tanta riqueza e produção que a gente tem. Estamos fazendo o papel do Estado. Este ano, vamos tentar implementar uma luta com outros movimentos sociais para criação do restaurante popular. Nós precisamos urgentemente na Grande Vitória de restaurantes populares”, explicou. 

  

Na pandemia, a procura por almoços solidários ofertados pelo grupo aumentou muito. Imagem cedida pela Pastoral do Povo de Rua.

Júlio contou que a substituição da Pastoral no trabalho que devia ser do Estado ficou evidente no contexto da pandemia, quando percebeu um aumento exponencial de pessoas à procura dos almoços solidários ofertados pelo grupo. 

“Claro, não é prepotência nossa não. Se não fôssemos nós, da pastoral, e outros grupos que não são ligados a nós, se não fosse a sociedade civil se mobilizando principalmente no auge da pandemia, que tudo fechou, imagina o que seria de uma pessoa em situação de rua com o comércio fechado, com gente morrendo de fome nas calçadas?”, ressaltou.

CENTRO POP E CAPS 

Entre as necessidades ouvidas pelas pessoas atendidas pela Pastoral, o coordenador também sinalizou a demanda aos municípios para o aumento do número de Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua, conhecidos como Centro Pop.

“Tem que aumentar o número de Centro Pop especializado para pessoas de rua, isso está dentro da política nacional que os municípios são obrigados a cumprir, mas não cumprem como deveriam”, enfatizou.

Além disso, ele afirmou que o problema da dependência química entre os atendidos pela Pastoral é uma situação que precisa ser resolvida pelo Estado por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) que funcionam como unidades especializadas em saúde mental para tratamento e reinserção social. 

“A questão da dependência química também é uma pauta importante, acreditamos que precisa aumentar o atendimento das CAPS, considerar a especificidade das pessoas da rua, tem o consultório da rua que precisa ser melhorado e ampliado em seu serviço de atendimento”, alegou.

O problema da higienização social

Além de trazer as pautas sociais ao poder público, denúncias feitas pelas pessoas em situação de rua também são relatadas pela Pastoral, de acordo com Júlio César.

A organização conseguiu no ano passado, que muitos atendidos pelo grupo fossem ao Ministério Público para registrar atos violentos de agressão por parte dos agentes municipais e militares. 

“Ano passado no período frio, nós distribuímos cobertores em uma semana e na outra precisamos distribuir de novo porque recolheram tudo. Então, se não pode fazer as políticas ainda, pelo amor de Deus, não tomem as coisas deles e não os violentem, eles reclamam constantemente de serem agredidos verbalmente e fisicamente por agentes públicos de segurança”, lamentou.

Comitê Metropolitano 

O coordenador da Pastoral defende a criação de um Comitê Metropolitano para discutir assuntos e ações que impactam diretamente na vida de quem mora nas ruas como alimentação, políticas públicas de saúde, geração de emprego e renda, escolarização para a retomada dos estudos, entre outros. 

“Tínhamos que ter aqui um comitê metropolitano, não adianta uma cidade só implementar, o que precisa ser feito, sob a liderança do Governo do Estado. É formar um comitê com a representação de todos os municípios para pensar políticas públicas da Grande Vitória para o povo em situação de rua”, argumentou.

https://movnews.com.br/cotidiano/2022/02/cesan-faz-manutencao-em-municipios-da-gv-onde-255-bairros-podem-ficar-sem-agua/

 

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