quarta-feira, 18 de maio de 2022
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ES tem 21,94% das crianças vacinadas com 1ª dose e supera média nacional

Com 21,94% das crianças de 5 a 11 anos já vacinadas com a primeira dose da vacina contra a Covid-19, o Espírito Santo é um dos oito Estados brasileiros que superam a média nacional de 21%. As informações são da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e constam na nota técnica divulgada nesta quarta-feira (16), com dados coletados até a última segunda (14).

De acordo com o boletim, estão a frente do Espírito Santo os seguintes estados: Distrito Federal (34,63%), Rio Grande do Norte (32,60%), Paraná (28,67%), São Paulo (28,10%), Sergipe (23,92%) Rio Grande do Sul (23,52%) e Minas Gerais (23,26%). Todas as outras 19 unidades federativas brasileiras estão empatadas ou abaixo da média nacional.

A nota técnica aponta ainda que Vitória, com 29%, é o município com maior cobertura vacinal nessa faixa etária. Apesar da taxa maior que a média estadual, a capital capixaba cai para 12° lugar na comparação com as cidades de outros estados brasileiros. O levantamento utilizou dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, cruzados com estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A vacinação pediátrica contra a Covid-19 foi iniciada no Brasil em 15 de janeiro de 2022, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar seu uso em crianças de 5 a 11 anos. Mais de um mês depois, a Fiocruz identificou lentidão no avanço da imunização. Em um contexto de retorno às atividades escolares presenciais em todo o país, a instituição demonstra “preocupação”, responsabilizando por isso notícias falsas e a desinformação.

“A difusão de notícias falsas tem provocado resistência das famílias sobre a eficácia e segurança da imunização para esta faixa etária, mesmo que todas as evidências científicas disponíveis atualmente sejam favoráveis a esta medida”, diz trecho da nota técnica, cuja publicação, segundo a Fiocruz, foi motivada pela necessidade de apresentar um panorama atual da vacinação entre as crianças.

Também foi constatada retração no avanço da vacinação a partir do dia 29 de janeiro, fato que acabou afetando o crescimento da cobertura vacinal das crianças desde o início do mês de fevereiro. 

O boletim evidencia ainda uma “grande heterogeneidade” na taxa de imunização pediátrica entre estados e também capitais e reforça “a necessidade de articulação de todas as esferas de gestão para a expansão da cobertura vacinal no país”. Com apenas 5,3% da população infantil vacinada, o Amapá é a unidade federativa com a menor cobertura. Demais estados do Norte do Brasil encontram-se abaixo da média nacional.

A cobertura vacinal de primeira dose nas capitais costuma ser maior que a do estado como um todo. No entanto, além do Amapá, também são exceções: Acre, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste do país.

Cobertura vacinal infantil com primeira dose da Covid-19 entre estados e capitais. Fonte: Fiocruz/e SUS innotifica 2022

Entre as capitais, a região Norte é igualmente a que possui ampla maioria abaixo do nível do país. Ao todo, 10 estão abaixo da marca do país: Macapá (1,6%), Boa Vista (20,6%), Rio Branco (6,9%), Porto Velho (16%), Teresina (8,4%), João Pessoa (15,8%), Recife (1,9%), Belo Horizonte (18,4%), Campo Grande (1,6%) e Cuiabá (15,7%).

Contudo, o balanço mostra que as maiores discrepâncias de cobertura vacinal entre capitais e demais municípios de um único estado foram identificadas nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.

A análise feita pela Fiocruz é de que há “forte indício de que a vulnerabilidade social determina a aplicação das doses em crianças. A inspeção visual dessa relação mostra que a cobertura vacinal de primeira dose é diretamente proporcional e maior nos estados onde a expectativa de vida ao nascer e o IDH são também maiores”. O inverso ocorre onde há maior desigualdade de renda, pobreza e internações relacionadas à atenção primária.

Além disso, a cobertura vacinal de primeira dose possui relação inversa com a proporção de crianças na faixa etária elegível. Nos locais em que a proporção de crianças de 5 a 11 anos é maior, há menor cobertura vacinal de primeira dose contra a Covid-19 para este grupo. Para os cientistas, este parece ser um efeito relacionado ao ritmo de expansão da imunização, pois onde há mais crianças aptas a se vacinar, menos se avançou.

“A repercussão associada a este fenômeno é simples: quando crianças não são vacinadas, cria-se um grupo suscetível a contrair a Covid-19. Num cenário em que apenas este grupo não está imunizado, ele se torna particularmente vulnerável à infecção e à disseminação do vírus, inclusive entre outros grupos etários”, explica a nota técnica.

O estudo destaca a grande credibilidade que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem junto à população, algo que fica evidente quando são observados os dados da cobertura vacinal das vacinas aplicadas no primeiro ano de vida. Assim, a Fiocruz pontua que o crescente movimento antivacina no Brasil é diferente do encontrado em outros países, tratando-se aqui de receio seletivo à vacina da Covid-19.

“Mais do que nunca, cabe o devido esclarecimento à sociedade civil, com linguagem simples e acessível sobre a importância, efetividade e segurança das vacinas, envolvendo a responsabilidade de todos os níveis de gestão da saúde no país (federal, estadual e municipal)”, continua o relatório.

Por fim, a Fiocruz cita o apagão de dados do Ministério da Saúde, ocorrido entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, que pode ainda estar prejudicando o monitoramento da Covid-19 no país. A instituição pede urgência na distribuição de vacinas para todos os estados e, “diante do vácuo criado pela ausência de campanhas que assegurem às famílias os benefícios individuais e coletivos da vacina para crianças”, que se fortaleça uma rede colaborativa de esclarecimentos à população.

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