quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Maciel de Aguiar celebra 70 anos com exposição de 143 livros em Conceição da Barra

Para celebrar seu aniversário de 70 anos nesta sexta-feira (11) o escritor Maciel de Aguiar promove na Praça Matriz, em Conceição da Barra, uma exposição com todos os seus 143 livros publicados. O capixaba trouxe ao mundo trabalhos de fôlego que vão desde a história oral dos quilombolas e indígenas brasileiros a obras dedicadas a reis, como Roberto Carlos e Pelé, heróis, tais qual Ayrton Senna, e a gênios da raça, feito Oscar Niemeyer.

O capixaba trouxe ao mundo trabalhos de fôlego que vão desde a história oral dos quilombolas e indígenas brasileiros a obras dedicadas a reis, como Roberto Carlos e Pelé. Imagem: Divulgação do Autor.

O coração não tem idade para se apaixonar, como bem sabe o escritor, um fã declarado do cantor e compositor Roberto Carlos. E a paixão que alimentou cinco décadas de uma profícua produção nunca esteve próxima de findar-se. Posto que é chama, o amor por contar histórias será eterno enquanto correr criatividade nas veias.

Prova disso é o livro “Ayrton Senna – Herói do Brasil”, gestado na década de 1980 e finalmente publicado em dezembro último. Mais recente trabalho de Aguiar, a obra é um imenso e valioso registro histórico – recortes de matérias, entrevistas e toda sorte de informação sobre as vitórias do piloto na Fórmula 1 veiculadas na imprensa nacional. Em 10 anos correndo a principal categoria do automobilismo, 41 vitórias e três títulos mundiais.

“Um livro que fica em pé na estante”, brinca o autor, em referência às 560 páginas da obra, semeada após um encontro com Senna no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, dias após a primeira vitória do piloto no Grande Prêmio do Brasil, no autódromo de Interlagos, também no estado paulista, em 24 de março de 1991. Aguiar esperava por um amigo no saguão lendo os recortes de jornais e revistas falando sobre o triunfo do brasileiro na corrida.

“Entra um cidadão, passa dois metros na minha frente. Eu, focado na leitura do material, só vi as pernas dele. ‘Boa tarde’, disse. ‘Boa tarde’, respondi, mas não olhei e ouvi dele, ao me ver lendo os arquivos: ‘parece que você gosta de Fórmula 1’. Quando enfim olhei, era o próprio. ‘Olha, não gosto muito não, mas sou um grande admirador de um tal de Ayrton Senna. Você conhece, já ouviu falar?’, perguntei. ‘Acho que já ouvi falar desse Ayrton Senna’, respondeu-me”, recorda.

À época, Maciel de Aguiar juntava relatos de pessoas sobre as canções de Roberto Carlos. Senna foi perguntado então sobre qual música do cachoeirense marcou sua vida e, em seguida, qual a sua velocidade preferida. As respostas: “120… 150… 200 Km por Hora” (1970), tema composto em parceria com Erasmo Carlos, e 200 km/h. “A mesma de quando o piloto beijou a face da eternidade”, diz o escritor, referindo-se ao acidente que vitimou o piloto, no GP de Ímola, na Itália, em 1° de maio de 1994.

Dois livros com personagens tão importantes para o Brasil, “Ayrton Senna: Herói do Brasil” (2021) e “Roberto Carlos – As canções que você fez pra mim” (2020), nascidos consecutivamente após longos anos germinando. No caso do Rei, as histórias embaladas por suas músicas começaram a ser escritas em 1969. Cinquenta depois, o relato derradeiro de Irmã Fausta (1923-2021), freira que ensinou Roberto a ler e escrever em Cachoeiro de Itapemirim, completou a seleção de 50 depoimentos.

Irmã Fausta foi a freira que ensinou Roberto Carlos a ler e escrever em Cachoeiro de Itapemirim, completou a seleção de 50 depoimentos. Imagem: Arquivo do autor.

O leitor encontra as emoções e experiências que Roberto Carlos proporcionou a um time espetacular: Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Sérgio Sampaio, Altemar Dutra, Chico Xavier, Garrincha e até Laura Moreira Braga, mãe do cantor, mais conhecida pelo título da canção em sua homenagem: “Lady Laura”, outra parceria com o Tremendão.

Reunir figuras tão importantes em diversas áreas da história brasileira é possível somente para quem está há tanto tempo por aí. Alfabetizado em São Mateus, para onde se mudou com os pais quando tinha 8 anos, Maciel de Aguiar sonhava mesmo era ler e escrever em dinamarquês. Quatro anos antes, ganhou de Steffen Broby Pontoppidan, filho do escritor Henrik Pontoppidan (1857-1943), laureado com um Nobel de Literatura em 1917.

Do primeiro contato com a arte ainda no início da vida, foi para Ponte Nova, em Minas Gerais, depois retornou ao Espírito Santo, em Vitória, e, na sequência, Rio de Janeiro e São Paulo. De “Niemeyer – O gênio da arquitetura”, escrito e lançado em 2006, um ano antes do centenário do arquiteto, a “Pelé – O Rei da bola”, com textos sobre o Atleta do Século XX escritos na década de 1980 e traduzido para 17 idiomas, odes à genialidade brasileira.

Somam-se aos textos de caráter mais biográfico, a militância política dos tempos em que se ocultou na clandestinidade para lutar contra a Ditadura Militar, disparando fulminantes letras em mimeógrafos e na série: “Os anos de chumbo” – coletânea de escritos dos anos 1968 a 1985, lançada em 2007 em quatro volumes de 620 páginas cada.

Para Rubem Braga (1913-1990), amigo e mestre da arte de escrever, Maciel de Aguiar publicou, em 2019, “O Sabiá e eu”, no qual reúne crônicas escritas na última década do século passado sobre cachoeirense que conquistou os periódicos brasileiros. A verve do barrense, no entanto, não se limita à vida e obra de consagrados brasileiros.

Nos anos 1960, mergulhou numa pesquisa que o acompanhou por toda a vida nas letras e transcreveu o que ouviu na série documental “História dos Quilombos”. Com relatos orais de descendentes dos negros escravizados no Brasil, publicou a memória passada por gerações, escutando atentamente a “versão dos vencidos”: Zumbi dos Palmares, Benedito Meia-Légua, Rosa Flor e outros personagens da luta contra a escravidão.

Canções, gols, corridas, curvas no concreto, crimes, versos e prosas que Maciel de Aguiar contou e estarão à disposição de quem for à Praça Matriz de Conceição da Barra. Por contar tantas histórias, a vida do autor pode ser acompanhada de perto em seu imenso acervo. Para mais, basta ir ao Museu Imperial de São Mateus e ao África Brasil Museu Intercontinental, também no município do Norte espírito-santense, criações daquele que, a partir desta sexta, já pode dizer que dividiu com o mundo 70 anos de conhecimento.

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