quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Sindicato aceita acordo e cobradores voltam ao trabalho dia 1° de fevereiro

Os cobradores de ônibus do transporte público da Grande Vitória retornam às atividades no dia 1° de fevereiro. Em assembleia realizada na manhã desta quinta (27), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo (Sindirodoviários-ES) aceitou o acordo proposto pelo governo do Estado. Segundo os sindicalistas, a medida vai proteger cerca de 1.600 postos de trabalho. A reunião, contudo, não foi pacífica.

Aproximadamente 100 trabalhadores foram à assembleia, que precisou de duas chamadas para ser aberta, às 10h, uma hora após o previsto na convocação. Motoristas e fiscais também participaram, o que gerou revolta em algumas cobradoras. Os motivos, contaram, seriam os votos de quem não desempenha as mesmas funções e irregularidades.

“Eles foram comprados, isso não é bom pra gente não”, reclamou uma trabalhadora. “Cobrador é quem decide se quer ou não [o acordo proposto], não é motorista. Motorista não sabe de vida de cobrador não. [Votaram] motorista, borracheiro, fiscal, tudo, menos cobrador”, disse outra funcionária das empresas que operam o sistema.

O diretor financeiro do Sindirodoviários-ES, Valdecy Dulcilina, contrariado pelas reclamações durante e logo após a votação, chamou uma das que protestavam de “preguiçosa”. Ele alega que muitos continuaram recebendo normalmente seus salários e benefícios há quase dois anos, desde a suspensão das funções de cobrança tarifária dentro dos ônibus, sem precisar trabalhar, mas que arrumaram outros empregos.

“É oposição, cara, querem fazer oposição aqui. Entendeu? Pessoal está há dois anos trabalhando aí, em casa sem [deixar de] receber, em outro emprego. Aí, até eu queria né?! Aí vem falar um monte de “merda”? A gente exige respeito, entendeu? A pessoa tem que dar o respeito para receber respeito”, defendeu-se, e prosseguiu.

“[O acordo] foi celebrado, todos os trabalhadores vão voltar, graças a Deus. É um peso que nós tiramos das nossas costas. Muitas pessoas pensavam que o cobrador não ia voltar e tá aí, voltou com a luta do sindicato, muito empenho do sindicato. E a oposição vem agora querer melar a situação, querendo desfazer a situação. Você viu, foi unanimidade, todo mundo aceitou a proposta”.

Cobradora critica aprovação de acordo e discute com diretor do sindicato logo após sufrágio – Imagem: Reprodução/TV MovNews

Apesar do conflito, o presidente do sindicato, Marquinhos Jiló, comemorou a aprovação do acordo e manutenção dos empregos. “Muitos não acreditavam. A população não acreditava. Isso mostra a força de um sindicato na luta em prol dos trabalhadores. Graças a Deus, os postos de trabalho estão mantidos”, festejou.

Jiló até ensaiou botar panos quentes, mas, em seguida, não poupou detratores e reforçou a argumentação de Dulcilina, sugerindo que há cobradores já trabalhando para outras empresas de diferentes ramos de atuação. “Estão só recebendo durante dois anos e agora que vai retornar ao trabalho, sabe como é né?! Faz parte”, afirmou.

O presidente do Sindirodoviários-ES refutou a tese de que cobradores seriam minoria na assembleia e defendeu o voto de outras categorias do transporte público.

“Na verdade, aqui teve a grande maioria de cobradores. Quando a gente ia para a luta em prol de todos os trabalhadores, quem ia em massa em apoio aos cobradores eram motoristas e fiscais que necessitavam dos postos deles dentro dos carros. Eu acho injusto tirar o trabalhador que sempre esteve na luta, que é o motorista, para não votar. Não estamos pedindo nada demais, é o retorno ao local de trabalho.”

Acordo

O retorno dos cobradores aos postos de trabalho começa no dia 1° de fevereiro, com o treinamento para desempenho de funções, alheias à tradicional cobrança tarifária dentro dos ônibus. A volta aos terminais e coletivos acontecerá apenas no dia 14 do mesmo mês. Eles atuarão apenas em veículos sem ar-condicionado, nos horários de pico ou no serviço noturno, popularmente conhecido como “bacurau”, de segunda a sexta-feira.

Segundo o presidente do Sindirodoviário-ES, a categoria já realizava algumas das novas atividades, como a orientação de motoristas e passageiros. A novidade fica por conta da venda e recarga do CartãoGV dentro dos coletivos. A cobrança em dinheiro segue indisponível dentro dos veículos, mas ainda será possível nos terminais – fato que gerou reclamações de trabalhadores contrários ao acordo.

“A categoria compreendeu e agradeceu o retorno, no dia 1° de fevereiro, às garagens, aos seus postos de trabalho. Dentro dos ônibus não vai ter dinheiro, mas vão vender os cartões e auxiliar os motoristas nas suas manobras dentro dos terminais e dentro dos ônibus, até mesmo orientando passageiros. A gente sempre procurou mostrar que o cobrador não está ali só para comprar passagem, que está ali para orientar motoristas e passageiros”.

Assembleia do Sindirodoviários-ES votou favoravelmente ao acordo com governo do Estado – Imagem: Reprodução/TV MovNews

A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) do governo do Estado informou que segue acompanhando o processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-ES). A questão foi ajuizada pelo sindicato, que pleiteou a manutenção dos empregos de cerca de 1.600 cobradores.

“A Semobi reforça que continua a disposição da categoria para qualquer diálogo sobre o tema. A proposta para retorno das atividades destes profissionais foi feita no final do ano passado e a Semobi aguarda o desdobramento da ação que corre na justiça do trabalho”, diz trecho da nota enviada pela assessoria da pasta.

A função de cobrador de passagens estava ameaçada desde 2019, quando chegaram os primeiros ônibus (excluídos os seletivos) com ar-condicionado, e foi dispensada em 17 maio de 2020, devido à pandemia do coronavírus, como forma de reduzir as chances de contaminação por meio da cobrança de tarifa em dinheiro, que passou a ser realizada com o CartãoGV.

O afastamento não era sinônimo de demissão. Parte dos cobradores continuariam recebendo salário reduzido, custeado pelo governo. Outros cumpririam apenas meio expediente nos pontos de venda e recarga dos novos cartões. Em julho de 2020, o Executivo prorrogou o afastamento até setembro daquele ano. Os salários vinham sendo pagos pelas empresas (30%) e pelo Estado (70%). Ao fim do prazo, outra prorrogação.

O ano de 2021, foi marcado por manifestações e greves. Temendo demissões em massa, a categoria lutava pelo retorno dos cobradores aos postos de trabalho. De acordo com a Semobi, dos 3.200 cobradores do Sistema Transcol em 2019, 47,25% foram requalificados no mercado de trabalho ou promovidos durante hiato da função, em maio do ano seguinte. Os demais, acrescenta a pasta, pediram as contas.

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