sexta-feira, 19 de agosto de 2022
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“Salas de trabalho e reuniões”: reforma do 8° andar do prédio da Findes, em Vitória, é orçada em R$ 1 milhão

Em ata da assembleia geral ordinária da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), obtida com exclusividade pelo MovNews, está a previsão de um gasto de R$ 1 milhão, para a reforma do oitavo andar da sede, na Reta da Penha, em Vitória. O documento, datado de 26 de novembro de 2020, trata da aprovação do orçamento previsto para o ano de 2021, e registra a participação da presidente do Sistema Findes, Christine Samorini, do 1º vice-presidente administrativo, Paulo Alexandre G. Pereira Baraona, além do vice-presidente financeiro Fernando Otávio Campos da Silva.

A descrição dos fatos na reunião não especifica o real motivo da reforma, mas deixa pistas. Em determinado momento, Cristhine Samorini diz que “o andar não possui um espaço adequado para os presidentes eméritos” (os 10 ex-presidentes), e que “há um espaço ocioso no lounge, e é preciso disponibilizar salas de trabalho e de reuniões”.

Após os balancetes financeiros dos últimos períodos serem registrados para apreciação e embasamento do orçamento final proposto para 2021 (R$ 3.627.434, mais de R$ 1 milhão a mais do que o orçado em 2020), dois membros que participavam da assembleia indagaram questões sobre o gasto previsto para a obra do oitavo andar. Agostinho Miranda perguntou se era “imprescindível” tal montante para reforma, enquanto Kleber Duarte sugeriu que fosse criado um relatório para fundamentar os ganhos de receita que justificariam a aplicação do orçamento previsto. Segundo ele, seria “interessante saber qual o propósito de se aplicar o valor e baseado em quais investimentos, pois o recurso pode sobrar para outras áreas”. Na galeria abaixo, arraste para o lado para conferir, na íntegra, os questionamentos dos membros a respeito da obra.

O vice-presidente financeiro Fernando Otávio falou na sequência, e explicou que o orçamento de R$ 1 milhão pretendido pode, na verdade, ficar apenas na previsão. De acordo com ele, “quando se projeta a conta de investimento no orçamento é para garantir a sua execução. Porém, para executar o investimento é preciso garantir o resultado da apuração de receitas e cortes de despesas”. Logo, caso de fato haja o recurso, este será aplicado, contudo, sem a previsão orçamentária isto não seria possível.

Presidente admite possível “confusão”

Christine Samorini é a atual presidente do Sistema Findes. Foi oficialmente empossada em fevereiro deste ano. Foto: Divulgação.

Após os questionamentos, a presidente Christine Samorini retomou a palavra. Explicou, novamente, que trata-se de uma previsão orçamentária, e disse que provavelmente “se confundiu” ao informar a quantia que talvez seria gasta, mas que “também considera o valor alto”. A explicação final relatada no documento ficou por conta do vice-presidente financeiro.

De acordo com Fernando Otávio, “os serviços que irão ser executados serão dentro da folga que a Federação possui”, e que “o valor apresentado de R$ 1 milhão foi baseado em três orçamentos dos estudos da reforma que irão acontecer no andar”. Reafirmou, contudo, que a obra só será executada dependendo da própria execução do orçamento proposto.

De acordo com a Visão Geral dos Resultados da Entidades, quadro apresentado na mesma ata, no comparativo acumulado de 2020 (entre receitas e despesas), houve déficit no valor de R$ 260.304, que fora justificado na assembleia pelas “reduções de contribuições a frustração de receitas não realizadas frente ao orçado”. A pandemia de Covid-19, que teve início ainda no começo de 2020, é outro fato que pode também ter agravado este cenário.

Apesar das indagações e após as explicações, o orçamento 2021 do Sistema Findes foi aprovado, tendo como encerrada a reunião ordinária. Informações de fonte consultada pelo MovNews dão conta de que a obra no oitavo andar começou na última quarta-feira (11), dia anterior à publicação desta matéria. A reportagem procurou a assessoria de comunicação do Sistema Findes para esclarecimentos de questões levantadas, mas até a publicação deste texto não houve retorno. Tão logo se manifestem, este conteúdo será atualizado, contendo a posição do Sistema Findes.

O Sistema Findes

Criado em 12 de fevereiro de 1958, a Federação das Indústrias do Espírito Santo foi fundada pelo empresário capixaba Américo Buaiz, com o objetivo de promover o desenvolvimento da indústria econômica em um cenário em que as atividades industriais ainda tinham pouca relevância na arrecadação do Estado. À época, reunia apenas cinco Sindicatos. Hoje, sendo o Sistema Findes, é composto por seis entidades que possuem como meta a continuidade à valorização da indústria capixaba, com a promoção de ações de defesa e representação dos interesses do setor, além de oferecer serviços e produtos às empresas associadas e à sociedade no geral.

Atualmente, a Findes é formada por seis “casas” que trabalham sinergicamente com atribuições e eixos definidos: Educação e Qualificação, Difusão Tecnológica, Desenvolvimento Industrial, Saúde e Lazer, além da Representação Institucional, eixos que são desenvolvidos pela Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), Centro da Indústria do Espírito Santo (Cindes), Serviço Social da Indústria (Sesi-ES), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-ES), Instituto Euvaldo Lodi (IEL-ES) e Instituto de Desenvolvimento Educacional Industrial do Espírito Santo (Ideies).

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