domingo, 14 de agosto de 2022
17.1 C
Vitória

Grupo de advogadas capixabas faz denúncia contra homem por assédio na internet

Advogadas capixabas estão denunciando um homem, não identificado pelos oficiais, por assédio pela internet. As vítimas afirmam que o suspeito se aproximava e iniciava conversas com a justificativa de que necessitava de serviços jurídicos e, em seguida, cometia o assédio. A denúncia formal está protocolada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Cariacica.

Cerca de sete vítimas relataram que o suspeito usa diferentes meios de comunicação para entrar em contato. Na forma mais corriqueira, o acusado inicia os diálogos por meio do chat da rede social Linkedin, destinado justamente a contatos profissionais, mas também já chegou a publicar um anúncio no SINE e, ao receber os currículos, imediatamente fazia contato telefônico com as vítimas.

Uma das vítimas, que já formalizou denúncia e que prefere não se identificar, conta que, ao enviar o currículo para uma vaga disponibilizada pelo SINE, foi orientada a entrar em contato diretamente com a suposta empresa. Assim que o fez, estranhou o tom pessoal nas conversas. Em seguida, frequentes contatos informais e fora do horário comercial continuaram foram feitos por parte do acusado. Ao perceber que não se tratava de uma proposta de emprego na área jurídica, bloqueou o homem.

Presidente da Comissão da Mulher Advogada, a jurista Edilamara Rangel. Foto: Arquivo Pessoal.

A Presidente da Comissão da Mulher Advogada, a jurista Edilamara Rangel está reunindo os relatos e explica que algumas jovens advogadas chegaram a indicar amigos advogados para o tal serviço jurídico que o homem buscava, mas ele continuava questionando se não haveria indicações femininas para o serviço, e que ele estaria interessado somente em jovens mulheres, deixando a entender – posteriormente nos diálogos – que elas seriam acompanhantes de luxo.

“É inadmissível que, em plena expansão do empoderamento feminino, as mulheres, sobretudo as jovens advogadas, passem por esse tipo de constrangimento no exercício de sua profissão. Lutamos por uma dupla de respeito: pelas mulheres, que tanto já foram boicotadas no mercado de trabalho, e pela advocacia, essa profissão tão nobre”, finaliza a jurista.

Como aconteciam os assédios

As conversas, sempre direcionadas às advogadas, começam da mesma forma: o homem buscando serviços jurídicos das profissionais. Com o andar do diálogo, dava a entender que tratava-se de uma pessoa bem relacionada, influente e com trânsito entre a nata jurídica e política, com o objetivo de tentar impressioná-las e ganhar a confiança.

É aí que a conversa, então destinada a contratar uma assessoria jurídica, descamba: ele começa a questionar detalhes íntimos e insinua se elas têm disponibilidade para viagens e serviços que vão além da advocacia profissional. Em comum, as vítimas são jovens. O homem as abordava buscando serviços jurídicos, mas a conversa terminava em insinuações sexuais, de acordo com as denúncias.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -