terça-feira, 17 de maio de 2022
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A arte de escrever ou escrever com arte

Recentemente, uma empresa me encomendou um texto para ilustração de um momento especial. Seria uma comemoração pela passagem de uma data significativa do segmento. Solicitei elementos para utilizar como base ao texto.

A resposta que obtive foi: é você quem vai escrever, a escolha é sua!

Como assim? Tem gente que imagina que é só ligar o start e pronto! Que temos uma caixinha de surpresas e adivinhações que podem satisfazer seu público!

Diante dessa afirmativa deduzo que, quem age dessa forma, certamente nunca foi bem sucedido em língua portuguesa na escola, nunca escreveu sequer uma lista de compras de supermercados!

Escrever é arte, cuidado, emoção, inspiração, conhecimento de causa, fundamentação, estudo e pesquisa! Não é algo que acontece assim num estalar de dedos, que vem do nada, sem nenhum resquício de credibilidade e responsabilidade.

Falar sobre um determinado assunto às vezes, é uma questão singular ou um assunto plural, entende? Pode ser uma fala predominante, determinante, dirigida a um público específico, que cria conceitos e comportamentos, ou apenas uma questão genérica e de interesse geral.

E aí eu digo, por que não falar de política ou de futebol?

Obviamente, porque são assuntos específicos, com muitas nuances, que devem ser abordados por especialistas do ramo. Assim é, assim se faz as coisas acontecerem com responsabilidade e credibilidade! Não é possível jogar conversa fora!

Ao escrever, reduzimos a termo aquilo que seria a conversa tradicional. Em vez de falar, transcrevemos o assunto com todas as possibilidades de entendimento para o nosso público. Porém, muitas vezes utilizamos o jogo de palavras, que é uma forma sábia de fazer o público refletir sobre aquele assunto.

E o que é o jogo de palavras?

É a forma inteligente de reunir palavras que, por si só, já criam um novo subtema e levam a diferentes interpretações e novas vias de abordagem de um mesmo assunto.

Mas, ao escrever dessa forma, o autor o faz pensando em um determinado tipo de público, já sabendo exatamente quem são as pessoas que irão apreciar e se deliciar com um texto, são as chamadas “cabeças coroadas”, um público alvo com sede de sair do lugar comum, que ama desafios.

E por que isso acontece?

Porque ninguém, em nenhum segmento, consegue atingir ou influenciar uma unanimidade! Cada pessoa tem uma forma diferente de reagir diante de um tema ou assunto, além da interpretação pessoal que cada um dá, de acordo com o seu momento, seu humor, sua autoestima.

É aí que muitos perguntam: Quem é você na fila do pão?

Genericamente, podemos dizer que essa expressão leva as pessoas a repensarem suas posições ou colocações, evitando equívocos possíveis ou cobranças de explicações a terceiros, de coisas que elas sequer praticam tão seriamente.

Por que e para quem se escreve?

O que desejamos atingir?

O autor escreve para quem gosta efetivamente de leitura, para aqueles que são ávidos consumistas de informação ou de reflexão! Num jogo de palavras, só se oferece alimento recheado de qualidade àqueles que são apreciadores de boa comida!

Assim, também há muito contexto inserido naquilo que queremos atingir a partir do título!

Há uma perfeita simbiose entre texto e título! E, por que não mudar um título quando um tema já foi abordado? Porque simplesmente muda tudo, muda a visão, a reflexão, muda todo o contexto e deixa de ser ou ter aquela importância que foi pensada. Existe um objetivo dentro de um título e esse ritmo não pode ser quebrado.

Ao ler um título o leitor pode imaginar o que vem pela frente, pode deduzir o que o autor quis expressar. Muitas vezes ele para diante do título e se contenta com o ‘imaginar’… Mas, a curiosidade humana o leva a tirar a teima do que está inserido no contexto e até aonde vai essa reflexão. E, assim, ele mergulha no texto e vai bebendo dessa fonte!

Por outro lado, muitas vezes, ao ler o texto, finalmente a ficha vai cair e ele poderá entender onde o autor pretendeu chegar mesmo sem falar com todas as letras! Deixou um trabalhinho extra para o cérebro do leitor.

Bingo! Já desenvolveu novas habilidades mesmo sem querer!

Quando um título por si só já demonstra todo o conteúdo, torna-se um desestímulo à leitura e se perde a motivação da comunicação. Sempre deverá haver uma interrogação ou instigação embutida.

Ou seja, se reduz a termo todo a emoção, raiva, comoção, sentimento que vai no peito e na mente, ou ainda, se traduz em uma busca incessante de respostas que o público possa estar precisando em um dado momento!

Por isso, aliado a todos esses detalhes, há que se ter a preocupação com as colocações, a forma textual, as palavras bem cuidadas porque acima de tudo, a escrita tem o dom de mudar opiniões ou fundamentar discursos. É a responsabilidade por aquilo que jogamos ao vento!

Somos seres anônimos que geram reflexões ou decisões pois, geramos reação e reflexão para quem entende o que lê e absorve para si, assim como quem pensa que interpreta e toma para sua vida tais informações, ou ainda, quem passa por cima do texto e deduz pela sua própria régua, serão sempre responsabilidades inerentes às palavras que distribuímos ao mundo.

E se, ao desenvolver um tema e trocarmos alhos com bugalhos?

Também é uma forma de comunicação e tem um público alvo!

Por que não?

Ah! Tá!

Esqueçamos a métrica!

Voltemos à comunicação!

 

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