segunda-feira, 16 de maio de 2022
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Estamos construindo Cidades Inteligentes (Smart Cities)?

A transformação das cidades envolverá vários desafios nos próximos anos. A
questão é que não se trata mais de definir as cidades inteligentes a partir de
parâmetros como eficiência energética e adoção de políticas de
sustentabilidade, mas sim de admitir que talvez só as cidades inteligentes
serão sustentáveis no futuro . O argumento faz sentido, pois dentro de 30 anos
seremos mais de 10 bilhões de pessoas, majoritariamente vivendo em regiões
urbanas.

Pensar em cidades inteligentes ou smart cities, como são conhecidas em
inglês, pode ser um exercício complexo, mas felizmente temos especialistas
que se dedicaram a isso. É o caso de Amy Glasmeiera e Susan Christopher, do
Departamento de Estudos Urbanos e Planejamento do MIT. Elas são autoras
do relatório Thinking about smart cities e resumem a avaliação de vários
especialistas no tema.

Segundo as especialistas, as sementes do conceito de cidades inteligentes
podem ser encontradas em uma série de conversas entre estudiosos e
profissionais na década de 1980. Os exemplos da época tinham em mente
realidades como as do Vale do Silício ou então falavam de futuros centros
urbanos com informações avançadas e complexos de fibra óptica. Hoje,
conforme a reportagem da Exame Informática, os especialistas citam a
inevitável adoção de tecnologias como Internet das Coisas (IoT), WiFi, Big
Data, Cloud Computing e Mobile apps, suportadas por infraestruturas de fibra
ótica, redes Móveis 4G/5G, data centers, e dispositivos adequados que
permitirão responder aos desafios e à visão transformadora das zonas
urbanas.

As cidades inteligentes não são apenas um conceito ou um sonho do futuro,
mas muitas delas começam a ganhar corpo graças a soluções inovadoras
baseadas, por exemplo, na Internet das Coisas (IoT). Outro caminho possível é
o uso de tecnologias celulares e sem fio de baixa potência (LPWAN) para conectar e melhorar a infraestrutura, eficiência, conveniência e qualidade de vida para residentes e visitantes.

Exemplos não faltam: semáforos conectados recebem dados de sensores e
carros, podendo ajustar a cadência e o tempo da luz para responder ao tráfego
em tempo real, reduzindo o congestionamento nas estradas. Carros
conectados podem se comunicar com parquímetros e plataformas de
carregamento de veículos elétricos (EV) e direcionar os motoristas para o local
disponível mais próximo. E mais: latas de lixo inteligentes enviam dados
automaticamente para empresas de gerenciamento de resíduos e agendam a
coleta conforme necessário em comparação com um cronograma pré-planejado.

Uma cidade inteligente é também sustentável e a norte-americana South
Bend  é exemplo disso. Ela deverá economizar US$ 400 milhões com um
projeto de esgoto inteligente, que inclui um sistema com 165 sensores e
softwares ativados em toda a bacia hidrográfica da cidade, gerenciando 13
portões e válvulas automatizadas. O projeto foi endossado pela Autoridade de
Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e pelo Departamento de Justiça
dos Estados Unidos (DoJ). A EPA, o DoJ e a cidade de South Bend assinaram
originalmente um decreto de consentimento em 2012, em resposta à
envelhecida infraestrutura de esgoto da cidade que frequentemente
transbordava, descarregando milhões de litros de esgoto e águas pluviais no
histórico Rio St. Joseph a cada ano.

O plano para resolver o problema foi definido para custar aos contribuintes de
South Bend US$ 713 milhões em melhorias de capital. Mas as partes
anunciaram que estão alterando o acordo original com um plano revisado
baseado na tecnologia de “esgoto inteligente”. A nova abordagem da cidade,
usando a solução de otimização de rede de águas residuais, oferece “melhor
proteção com custo mais baixo”, de acordo com a EPA.

Outro exemplo que vem dos Estados Unidos é o projeto de eficiência
energética liderado pela concessionária de serviços públicos NYPA, em Utica,
no estado de Nova York. A utilitie concluiu um programa de iluminação pública
inteligente e eficiência energética ao instalar, em parceria com a prefeitura
local, um total de 7.140 postes de luz LED inteligentes, como parte do  Smart
Street Lighting NY  .

A iniciativa é um programa com a meta de substituir 50 mil postes de luz por
modelos inteligentes e com baixo consumo de energia até 2025. No estado de
Nova York, outros 286 mil postes de luz inteligentes foram instalados como
parte do programa, incluindo as cidades de Albany, Rochester, Syracuse e
White Plains.

A NYPA financiou o projeto de US$ 11,1 milhões para a cidade de Utica.
Alguns sistemas de gerenciamento de ativos e postes de LED foram instalados
para operação em tempo real dos postes de luz, com relatórios automatizados
de interrupções e para reduzir os custos de energia associados a manter a
cidade iluminada e segura. Espera-se que o projeto retorne US$ 1,5 milhão em
economia anual.

Os modelos de LED instalados são de 50% a 65% mais eficientes
energeticamente em comparação com outros no mercado ou postes de luz
existentes que estão sendo substituídos. A tecnologia instalada permite que a
cidade diminua ou aumente remotamente a capacidade de iluminação dos
postes de rua. Espera-se que o programa abra caminho para cidades
inteligentes e aplicações de redes inteligentes, com os postes sendo usados
​​para instalar câmeras, sensores meteorológicos, medidores inteligentes e a
rede para fornecer serviços WI-Fi.

Continuaremos mostrando outras características das Cidades Inteligentes em
nosso próximo artigo.

César Albenes de Mendonça Cruz

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