quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Montes Folly, a loucura que deu certo!

Montes Folly, a loucura que deu certo!

Antes de começarmos a falar sobre o vinho desta semana, importante que os leitores conheçam um pouco da trajetória de Aurelio Montes, um empreendedor visionário, louco, mas com os pés literalmente no chão, que fundou no ano de 1987 a Viña Montes. O sucesso das suas produções vitivinícolas foi tanto que Aurelio teve a visão de empreender no país vizinho, a Argentina.

Em 2001 Aurelio Montes, produtor de vinhos sênior e sócio fundador da Viña Montes no Chile, visitou Mendoza na Argentina, ficou impressionado com o terroir e vislumbrado com o potencial da região fundou no ano seguinte a Kaiken Premium Wines. Esta vinícola produz vários rótulos excelentes, como o Kaiken MAI, o ícone da bodega, o grande projeto da Montes em Mendoza, que traz em seu rótulo a assinatura da prestigiada família Montes. Este vinho somente é elaborado nos anos das melhores safras da uva Malbec e dos vinhedos com mais de 80 anos. Em 2011 lançou no mercado o Kaiken Ultra Malbec 2011, que de acordo com a revista Decanter foi eleito o melhor Malbec argentino entre mais de 120 dos melhores vinhos elaborados a partir desta casta, tendo recebido cinco estrelas, a nota máxima da conceituada revista na pontuação dos vinhos. Este vinho alcançou tanto prestígio que é considerado o “Montes Alpha” da Argentina. O homem parece o rei Midas da vitivinicultura chilena e argentina, tudo que produz vira ouro, ou melhor, vinho de qualidade!

Depois desta pequena introdução sobre a trajetória de Aurelio Montes vamos falar sobre o vinho assunto da coluna desta semana.

Convidado para uma degustação na casa de um amigo, após a primeira garrafa, o anfitrião me pediu para pegar em sua adega mais uma garrafa à minha escolha. Como já disse em colunas anteriores, quando o rótulo e o nome do vinho me agradam, geralmente o vinho é de boa, ótima qualidade, então, o nome do vinho seu rótulo a safra e a uva foram determinantes para minha escolha. Peguei na adega o vinho Montes Folly Syrah 2005. As uvas selecionadas para este vinho são cultivadas na mais elevada encosta do vinhedo Finca de Apalta. O vinho recebeu o nome de Folly – loucura em português – porque os vinicultores da região achavam uma loucura de Aurelio cultivar a Syrah numa época em que a uva ainda não tinha sido testada no Chile, principalmente a 300m de altitude, colhidas manualmente em inclinações de 45° à noite.

De cor rubi profundo, taninos marcantes, mas aveludados, teor alcoólico de 15% por volume. Melhor consumir na temperatura entre 16°C e 18°C.

Bem leitor, resumo da degustação: o vinho Montes Folly Syrah 2005 foi aprovado por unanimidade. Super indico, seu preço está na faixa de 100 a 200 dólares, dependendo da safra. Somente encontrado na internet ou no seu país de origem, o Chile.

O texto a seguir está impresso no rótulo principal.

“Apalta Valley was where my dreams and instincts led, searching for the best terroir for red wines in Chile. My partners agreed and ‘La Finca de Apalta’, a mountain Estate, was cleared as high as we could and Syrah – untested in this region – planted in the steeper slopes. Both were considered folly by the conventional wine trade. This wild wine, harvested by acrobats, is the result. Only the genius of Ralph Steadman could translate this emotional wine into a label, to him our gratitude”.

Tradução do texto:

“Apalta Valley foi onde meus sonhos e instintos me levaram, procurando o melhor terroir para vinhos tintos no Chile. Meus parceiros concordaram e ‘La Finca de Apalta’, uma propriedade de montanha, foi desmatada o mais alto que pudemos e Syrah – não tinha sido testada nesta região – foi plantada nas encostas mais íngremes. Ambos foram considerados loucura pelo comércio convencional de vinhos. Este vinho selvagem, colhido por acrobatas, é o resultado. Só o gênio de Ralph Steadman poderia traduzir este vinho emocional em um rótulo, a ele nossa gratidão”.  Assina o texto: Aurelio Montes.

No agradecimento ao final do texto o autor se refere ao cartunista britânico, Ralph Steadman, que traduziu em um rótulo a mesma emoção que sentiu com a criação deste maravilhoso vinho.

Um brinde à saúde, até a próxima semana. Mas se beber, não dirija!

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