quinta-feira, 19 de maio de 2022
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Vitória

A peste, a guerra, a fome e a morte

A lua tornou-se como sangue,

 as estrelas do céu caíram sobre a terra.

Apocalipse 7:13

 

Os quatro cavaleiros do apocalipse, descritos pelo apóstolo João, no livro do Apocalipse, anunciariam o fins dos tempos e de todas as coisas, o extermínio da humanidade e dos mundos. Em seus corcéis fogosos, desceriam à terra, trazendo ódios e infelicidades, deixando, na sua passagem rastros de destruição e ruínas da peste, da guerra, da fome e da morte.

Quando mal superamos a pandemia do Coronavirus com infectados em todo planeta, estamos agora reeditando a guerra, em um mundo em que a fome ainda é endêmica para muitos, as violências, nas cidades, atingem principalmente os jovens, negros e as mulheres, e os riscos das mudanças climáticas prenunciam o fim do planeta Terra. Deslocamentos compulsórios afastam milhões de seus lugares e identidades, fugindo das perseguições, como refugiados, rompem fronteiras, expatriados.

Os cavaleiros do apocalipse já estão no meio e acima de nós.

No século XX, chegamos a acreditar que as ciências e os conhecimentos, afastadas as sombras dos erros e das superstições, evitariam as epidemias das pestes, chegamos a imaginar o término de todas as guerras e conflitos, a superação da fome e da miséria, através da expansão do progresso em todo o globo, e publicamos vitoriosos, ano a ano, o aumento da expectativa de vida e a superação de doenças contagiosas. O desenvolvimento tecnológico e social trouxe inúmeras novidades, acumulou instrumentos, meios e processos que pretendiam reduzir os esforços físicos do trabalho, que reduziriam as diferenças entre os homens e mulheres, e anunciavam uma vida feliz e infinita, vencidas as doenças e as dores.

A inteligência artificial, a biotecnologia, a educação ampliada e o acesso público à saúde, ao lazer, às viagens, frutos de conquistas e saberes universais, iriam superar as desigualdades sociais e o desgaste do meio ambiente, e para muitos, as seguidas histórias de sofrimentos e limitações do corpo humano estariam vencidas em um futuro bem próximo.

O que está dando errado?

ou o que sempre esteve errado?

Seremos uma espécie animal, cuja compulsão à violência, incapaz de sobreviver em harmonia, de (re)distribuir os benéficos das invenções e produções materiais e simbólicas, condenada, expulsa do paraíso terrestre, a buscar a sua própria extinção?

Marcados pela mancha original do pecado e do mal, pela cupidez e arrogância do livre arbítrio, estamos sempre contaminando as nossas próprias criações, a natureza e parceiros. Por mais generosas as propostas iniciais de inovações, saberes e descobertas, as apropriações de seus usos e lucros sempre acabam nas mãos de poucos, suas elaboradas formas de controle e gestão acabam subordinadas aos poderes do estado e das corporações militares.

Os investimentos em sonhos e no impulso utópico, a fé no esclarecimento e na razão, o empenho em revoluções, foram se desencantando, diluídos, e hoje mal demonstramos, cínicos, nossos apoios, `a causas de justiça e igualdade ou `as manifestações contra preconceitos e discriminações, em abaixo assinados ou encontros virtuais.

Assim, diante de mais uma guerra e suas obvias agressões, pouco nos sobra, fazer torcida por um dos lados, ouvir e debater razões contraditórias, ser consumido online por superficiais opiniões e imbecis fake news, falas que não conseguem forjar desculpas, que não conseguem inventar justas causas humanas para tantas violências e mortes e não conseguem calar os gritos e as dores dos inocentes.

Um tempo difícil, quando escasseiam solidariedades e expectativas, onde enclausurados, entre os ódios e as mentiras, parecem perdidas as esperanças, desgastados as vontades e os desejos e esquecidas as ilusões,

desalojou-se em mim todo lugar de crenças

de legitimidade de reivindicações 

de identidades e pertenças

só quero a paz.

Sonia marques

 

Kleber Frizzera

marco 2022

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