quinta-feira, 19 de maio de 2022
16.9 C
Vitória

Violência contra mulher

Curiosamente, por mais que a sociedade ‘evolua’ como um todo, essa mesma sociedade transgride inúmeras regras de convivência social, de respeito ao outro, do direito à vida! Segundo pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança, cerca de 500 mulheres sofrem violência física a cada hora no Brasil.

Frequentemente nos deparamos com o noticiário repleto de abusos contra idosos, portadores de necessidades especiais, crianças e mulheres de todas as idades e classes sociais. Porém, o volume de agressões contra as mulheres se destacam entre os demais casos. Em especial, o número expressivo de feminicídios, praticados de forma sempre brutal, demonstrando um total desprezo pelo outro, cegueira total para a condição humana.

Qualquer que seja o viés de observação, o nível das agressões analisado, a perpetração dos danos contra mulheres, sejam físicas, psicológicas ou verbais, são assustadoras as estatísticas.

Observamos um diferencial comportamental em função da visão de muitas dessas mulheres que resolveram dar o grito pela vida. Elas resolveram dar rosto às histórias, expor suas intimidades e vidas abusivas, na tentativa de servirem de alerta para pessoas desavisadas, colocar em xeque as ações do poder público, além de darem as características dos abusadores buscando uma forma de fundamentar um pedido de prisão com a descoberta de outras vítimas de um suposto agressor.

Ou seja, elas descobriram um espaço nas redes sociais onde podem interagir com outras vítimas e repensar providências a serem tomadas, cobrar uma ação do poder público, elas também realizam uma forma de terapia coletiva conhecendo as demais histórias, sabendo que não são as únicas vítimas do seu suposto algoz. Dividir esse peso, poder abrir as suas histórias, traz um certo grau de alívio a essas mulheres.

É ali, nas redes sociais que elas têm encontrado apoio, alívio, agregando suporte para campanhas, além de serem motivadoras do surgimento de tecnologias digitais que favoreçam essas informações essenciais, além dos meios para se proteger, e os caminhos legais para denunciar seus agressores.

Assim, se multiplica o surgimento de aplicativos de combate à violência contra a mulher. São ferramentas que buscam tanto prevenir esse tipo de ação, quanto encontrar o apoio adequado para o caso de agressões já sofridas.

Nessa tentativa de gerar aplicativos de combate à violência de gênero, têm sido criadas as mais diferentes funcionalidades como: mapear lugares inseguros até acionar uma rede de contatos em situações de perigo, passando por chamar a polícia para mulheres sob proteção legal, os aplicativos buscam criar entre as próprias mulheres e seus contatos de emergência uma rede de proteção e apoio, em uma forma de complementar os precários (ou até inexistentes) serviços públicos voltados ao atendimento de mulheres.

É dessa forma que o app Malalai tem como funcionalidade informar uma rede de segurança formada por conhecidos para prevenir que as agressões aconteçam.  Além de acionar uma rede de até três contatos via SMS quando a mulher se sentir insegura, o Malalai tem um mapa que é alimentado com dados inseridos pelas próprias usuárias para que mulheres possam consultar para traçar seu percurso. Ele é um aplicativo voltado ao deslocamento de mulheres com mais segurança para prevenir casos de violência sexual. Há informações sobre a iluminação das vias, movimentação de pessoas, existência de ponto comercial aberto, presença de porteiros ou de segurança privada, existência de posto policial e ocorrências anteriores de assédio.

Nesse mesmo caminho, o app PenhaS tem o mesmo sistema de acionamento de amigos e familiares para socorrer a mulher vítima de agressão. Além disso, para ajudar na colheita de provas para a denúncia será possível gravar áudios. E, ainda, tem sido muito bem aceita e elogiada a ferramenta de chat em que as mulheres podem conversar umas com as outras, em uma rede de apoio. Para empoderar essas mulheres, o app pretende agregar notícias de conteúdos feministas e um mapa com informações de delegacias especializadas no atendimento a mulheres.

Ressaltemos aqui que, a mulher precisa provar a violência que sofreu. E, quando ela vai fazer a denúncia na polícia, muitas vezes, costuma sofrer ainda a violência institucional, que é o descrédito da autoridade, sendo questionada sobre marcas de violência que muitas vezes são invisíveis, ou são marcas de tortura psicológica perpetrada ao longo do tempo.

Na expectativa de proporcionar apoio a essas mulheres, surgem novos apps em busca de dar apoio terapêutico e legal às vítimas de qualquer tipo de violência contra mulher, especialmente a sexual.  É uma plataforma que conecta as vítimas a profissionais voluntários e especializados, tais como: psicólogos, advogadas, profissionais dedicados que doam horas de trabalho para esses atendimentos, disponível em várias cidades e estados, tendo em vista que, a violência contra a mulher é assustadoramente comum em todas as classes sociais, em todas as idades, em todas as raças. E mata, sim, milhares de mulheres todos os anos no Brasil.

Já o aplicativo PLP 2.0 foi um marco no uso do celular para os casos mais extremos. Criado por duas ONGs, o objetivo do app é acionar, de forma rápida, uma rede de proteção a mulheres sob medida protetiva que forem agredidas ou se sentirem ameaçadas por seus ex-companheiros.

O aplicativo aciona a polícia por meio do 190 com informações sobre a vítima e sua localização e avisa o juiz responsável pelo caso de que a medida protetiva foi desobedecida. O app também ajuda na coleta de elementos que possam servir de provas no processo ao gravar áudios e vídeos.

O PLP 2.0 ainda tem um alcance limitado porque conta com o poder público para atuar. Para ser cadastrada e usar o app, a mulher já tem que estar sobre proteção legal e ser selecionada pelo Judiciário. Atualmente o app funciona em Porto Alegre desde junho de 2016 e tenta expandir para outras regiões do país.

O PLP 2.0 ganhou R$ 1 milhão do Prêmio Desafio Social Google em 2014, recursos que financiam o aplicativo até hoje. Já, o PenhaS inscreveu o projeto em um edital de um fundo internacional para financiamento de projetos de proteção e de direitos de mulheres.

Um dos grandes desafios para desenvolver e manter esses aplicativos é o financiamento. Recursos do próprio bolso, financiamento coletivo, prêmios e bolsas têm sido as formas mais comuns para colocar as ferramentas em pé.

A pergunta que fica é: com grana e esforços escassos, não seria mais produtivo juntar algumas dessas iniciativas em menos plataformas? Ou seja, em vez da proliferação de aplicativos, concentrar todas as vantagens dentro de um número menor deles, porém, com maiores recursos?

Na visão de alguns coordenadores de apps é natural que haja esforços duplicados, porque os modelos ainda estão sendo testados.  Na opinião de outros, com o maior número de apps, a probabilidade de as mulheres que precisam conhecê-los é bem maior. Além disso, nessa visão, dependendo da localidade, um app funciona melhor que o outro, porque tem mais mulheres cadastradas naquela região. São peculiaridades de cada região que determinam a efetividade dos recursos dessas ferramentas.

Assim, “quanto mais, melhor”…

 

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -