domingo, 14 de agosto de 2022
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Dose aumentada da Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central aumentou em 1% a taxa Selic que foi para 5,25% na última quarta-feira, dia 4 de agosto. Além disso, já sinalizou de que poderá repetir a mesma dose na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 21 e 22 de setembro (intervalo de 45 dias entre as reuniões).
 
Mas qual foi a principal razão para esta alta?

A principal causa do aumento da taxa foi a inflação, que fugiu ao controle e tornou-se a principal causa desta dose reforçada no aumento da taxa de juros que inicialmente estava prevista para ser de 0,75%. 
 
Ao desvendar o que há por trás da alta desenfreada da inflação na atual conjuntura, temos que fazer referência a uma série de fatores. Se fosse na faculdade de economia abordaríamos quatro causas: pressão da demanda, pressão dos custos, inercia inflacionaria e por último, as expectativas inflacionarias.

Entretanto, no momento econômico atual podemos dizer que a pressão inflacionaria ocorre em função das seguintes causas:

1º- A alta no preço das commodities agrícolas e metálicas (principalmente a alta do petróleo). Um ponto importante e preocupante e o aumento do preço das commodities agrícolas no mercado internacional. Este aumento faz com que o produtor opte por colocar a mercadoria no exterior, ao invés de vender internamente, causando assim uma falta destes bens, ocasionando um aumento nos preços; 
 
2º- retorno da alta do dólar em relação ao real que encarece principalmente a importação de trigo; 
 
3°- Diminuição da oferta de bens industriais (falta de chips e componentes eletrônicos, que são importados);
 
4°- O aumento na vacinação, que tem causado um aumento na demanda de serviços de maneira geral;
 
5°- As condições climáticas adversas, que tem afetado o abastecimento de hortaliças e frutos; 
 
6°- Aumento no preço da energia com tarifações cada vez maiores; 
 
7°- falta de chuvas que mantem baixo o nível dos reservatórios. Estamos passando pelo pior momento dos últimos 90 anos; 
 
8°- O Risco Fiscal (custo da dívida aumenta) com o risco de “furar” o teto dos gastos;
 
9° – O Risco Político que tem relação com o risco fiscal anteriormente mencionado, que se dá quando o governo para criar espaço para maiores gastos com o Bolsa Família, resolve parcelar o pagamento dos precatórios por exemplo, como ocorreu esta semana; 
 
10°- Por último, e não menos importante, o risco decorrente do início precoce do calendário eleitoral que acaba favorecendo a alta do dólar, por ocasionar incertezas e insegurança política. 

 
Só para relembrar, o IPCA já acumula alta de 8,99% nos últimos 12 meses, e a própria pesquisa Focus (que é realizada semanalmente) aponta para que o ano termine com uma inflação na casa de 7%. Alguns departamentos de bancos estrangeiros já precificam uma taxa entre 7,5% e 8% em dezembro, ou seja, para daqui a 4 meses.
 
Falamos das causas, vamos agora citar pelo menos três principais consequências deste “estrago” que é a inflação:
 
1ª- A inflação tem o poder de desestimular os investimentos, prejudicando o crescimento econômico; ou seja, o empresário não investe, o governo não gasta e assim entra-se num ciclo vicioso; 
 
2ª-  A inflação afeta demasiadamente as classes sociais menos favorecidas;
 
3ª- Sob a ótica do governo, mais inflação significa um aumento do custo da dívida pública, que passa a pagar um prêmio maior de risco sobre o lançamento dos Títulos Públicos.

 
Esta prática de uma política fiscal contracionista deverá continuar nas próximas reuniões, previstas para este ano e para o próximo ano também.
 
Mas o que é política contracionista? É a dificuldade colocada pela autoridade monetária, aumentando a taxa de juros para a contração de empréstimos e financiamentos de bens, ou mesmo para diminuir o consumo com o intuito de frear a inflação.
 
Esta regulagem é muito difícil de ser atingida, de ser planejada, e de ser calibrada. Este é o verdadeiro papel do Bacen que fica sujeito a uma explicação ao Senado Federal, caso fique muito acima ou muito abaixo da meta estabelecida para este ano que é de 3,5%.

Com a permanência deste dragão inflacionário, a expectativa é que o Copom deva manter a dose aumentada de reajuste da taxa Selic em 100 pontos bases na próxima reunião marcada para os dias 21 e 22 de setembro. Esperemos para ver o que virá!

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