sexta-feira, 12 de agosto de 2022
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14 de Julho, queda da Bastilha e um pouco da história dos vinhos

A Revolução Francesa teve início no dia 5 de maio de 1789 em Paris e seu clímax se deu no dia 14 de julho do mesmo ano com a invasão dos franceses à Bastilha, presídio onde os inimigos do rei ficavam presos e maior depósito de pólvora da coroa francesa.   Foi um período de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em pouco tempo.

Aí o leitor pode se perguntar: o que tem a ver a Queda da Bastilha com vinhos? A Borgonha já produzia vinhos sob o domínio dos monges beneditinos há praticamente 10 séculos. Com a Revolução Francesa, a mudança da corte papal de Roma para Avignon aconteceu muitas mudanças que se seguiram após o ano de 1789, principalmente, com o Código Napoleônico, a igreja católica perde a sua hegemonia, assim como de alguns duques proprietários de terras. E com isto, imensas propriedades foram divididas em parcelas menores de terra e depois vendidas. Os vinhedos da Borgonha deixaram de serem cuidados por monges para serem cultivados pelos novos proprietários. A Borgonha situa-se geograficamente numa posição privilegiada pela natureza, mesmo sendo menor e sem o mesmo charme de Bordeaux, produzem os melhores vinhos tintos e brancos do mundo, casos como os tintos da uva Pinot Noir de Vosne e os brancos da uva Chardonnay de Chablis, sub-regiões da Borgonha. 

O texto a seguir parece ter sido escrito nos dias atuais, mas, trata-se de um documento do período do terror da Revolução Francesa e nos revela muito bem o que significa os vinhos da Borgonha e suas sub-regiões para o mundo.

“Trata-se de uma propriedade famosa pela excelente qualidade de seu vinho. Sua localização no território vinícola de Vosne é a mais adequada para a perfeita maturação das uvas; mais alta no lado oeste, recebe os primeiros raios de sol em todas as estações do ano, sendo impregnada pelo calor mais intenso do dia. (…) Não podemos negar que o vinho de La Romanée é o melhor de toda Côte-d’Or, e até mesmo de todas as vinícolas da República Francesa: quando as condições climáticas permitem, este vinho se distingue dos de outros excelentes terroirs; sua cor esplêndida e aveludada, sua energia e seu buquê encantam todos os sentidos humanos. Bem guardado, torna-se muito melhor quando se aproxima de 8 a 10 anos; transforma-se então em um bálsamo para os idosos, os frágeis e os deficientes, e devolve a vida aos moribundos.”

Caro leitor até a próxima semana, brinde a Revolução Francesa, ou, brinde a vida, mas, lembre-se bebida alcoólica e direção não se combina muito menos se comemora. 

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4 COMENTÁRIOS

    • Muito obrigado Patricia pelo pertinente comentário. Realmente o vinho com seus aromas, paladares e cores nos faz viajar. Sempre presente nos momentos importantes da humanidade.

    • Obrigado Toufic pelo comentário. Procuro sempre que possível fazer associações com datas importantes no mundo e com o vinho, afinal, é uma das bebidas alcoólicas mais antiga da humanidade.
      Abraços,
      Paulo Angelo.

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