sábado, 21 de maio de 2022
23.9 C
Vitória

Vila Velha faz ação nas ruas contra o Trabalho Infantil

“Criança não trabalha, criança dá trabalho!”, se a letra da música de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, interpretada pelo grupo Palavra Cantada, fosse leva ao pé da letra nós não teríamos no país quase dois milhões de crianças e adolescente em situação de trabalho infantil e mendicância. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), em 2019, havia 1,8 milhão de crianças e adolescentes de cinco a 17 anos em situação de trabalho infantil. O que representa 4,6% da população nesta faixa etária.

O trabalho infantil é proibido, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. E pensando neste número alarmante, desde janeiro, uma ação de enfrentamento ao trabalho infantil vem sendo realizada em diversos locais de Vila Velha, para ajudar as crianças a saírem desta condição. No ano passado, este trabalho do poder público municipal, retirou  158 crianças e adolescentes da condição de trabalhadores e mendicância.

O Projeto, é uma proposta do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, aderido pelo Governo do Estado, desenvolvido juntamente com os municípios. Neste ano, o slogan do projeto é: “Covid-19: agora mais do que nunca, protejam crianças e adolescentes do trabalho infantil”. O objetivo é alertar para o risco do crescimento desta prática movida pelos impactos da pandemia do coronavírus

O Projeto tem como objetivo mapear as causas do trabalho infantil, identificar casos e articulá-los junto à rede socioassistencial. Na época de verão, muitas crianças e adolescentes aproveitam para vender doces, realizar malabarismo, mendigar e fazer outros tipos de serviços, com os pais ou sem eles, segundo as equipes de abordagem.

De acordo com a subsecretária de Assistência Social de Vila Velha, Márcia Barcellos, são varias as situações que levam ao trabalho infantil, principalmente a questão financeira e a mudança no perfil das famílias por conta de desemprego.

“Muitas vezes a criança não está com a família de origem e está fazendo esse trabalho para uma outra pessoa. Temos que combater quem acha que o trabalho infantil não causa nenhum dano. Tem problemas sim, e a gente está aqui para identificar o que isso pode provocar futuramente nas crianças”, disse.

De acordo com a subsecretária de Assistência Social de Vila Velha, Márcia Barcellos, a população pode e deve denunciar as situações de trabalho infantil. Imagem: TV MovNews.

De acordo com a subsecretária, a ação é realizada pela equipe que compõe o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). O grupo vem realizando atividades em diversos pontos da cidade, como feiras livres e locais de grande circulação, com o objetivo de sensibilizar e alertar a sociedade sobre o tema.

Ela explicou que a ação foi potencializada nas praias por conta do verão, já que neste local geralmente demanda um número maior de crianças e adolescentes no trabalho infantil, por conta das férias escolares e também pelo aumento de frequentadores da praia e turistas nesse período.

Além disso, segundo Barcellos, a equipe responsável pela ação informa para as pessoas a  importância de evitar e denunciar o trabalho infantil nesses locais. Os técnicos do PETI apresentam material de divulgação impresso que contém informações sobre os riscos que essas crianças e adolescentes sofrem com a exposição ao trabalho infantil.

“Geralmente a criança quebra algumas etapas da infância, isto desencadeia questões neurológicas e psicológicas, por conta dessa obrigatoriedade fora do tempo. Elas também estão sujeitas aos riscos ofertados pelas drogas e outros fins”, disse a subsecretária.

Os trabalhos estão mais presentes e visíveis nas ruas, nos sinaleiros, nas feiras, no comércio, na agricultura, na construção civil, nos lixões e no tráfico de drogas, entre outras atividades. O trabalho infantil doméstico ainda é presente e de difícil identificação.

Márcia também destacou que outra etapa do trabalho é fazer a identificação dessas crianças abaixo de 14 anos que estão executando o trabalho infantil e encaminhá-las para a rede socioassistencial ofertada pelo município, por meio dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

Consequências da prática do trabalho infantil

  • Baixo rendimento, atraso e abandono escolas;
  • Privação ao brincar, ao lazer, à cultura e ao convívio familiar;
  • Danos psicológicos: perda de alegria natural da infância, isolamento, perda de afetividade, baixa autoestima e depressão;
  • Danos físicos: fadiga, deformidades na coluna, irritabilidade e problemas respiratórios;
  • Exposição a acidentes de trabalho: fraturas, mutilações, ferimentos, picadas de insetos e animais peçonhentos;
  • Repetição do ciclo da pobreza e da exclusão social.
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -