quarta-feira, 18 de maio de 2022
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Projeto Tampinha do Bem visa mudar cultura e ajudar setor que emprega 6 mil

O projeto Tampinha do Bem existe no Espírito Santo desde 2016. De lá para cá, ajudou a recolher mais de 12 toneladas de tampas de garrafas plásticas, destinadas à reciclagem e ao reaproveitamento. O programa ajuda a gerar emprego e renda para um setor que emprega, somente no Estado, cerca de 6 mil trabalhadores, além de ajudar a mudar a mentalidade da sociedade, transformando a cultura de lixo na da reutilização.

Inicialmente, o projeto chamava-se Tampinha Legal. Originário do Rio Grande do Sul, foi trazido para terras capixabas em 2016, pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Espírito Santo (SindiplastES). Em 2019, ganhou o nome utilizado ainda hoje e possui três objetivos centrais: conscientização, educação ambiental e geração de renda. Para atingir tais metas no curto, médio e longo prazo, a estratégia foi chegar às escolas.

“Para mudar uma cultura, leva-se em média 15 a 20 anos. Para o cidadão mudar o seu modelo ambiental em relação à educação ambiental é um grande desafio. Então, achamos relevante iniciar, fomentar o programa Tampinha do Bem nas escolas. Estimulamos a realização de gincanas em que as crianças recolhem tampinhas e premiamos as escolas campeãs”, explica o superintendente do SindiplastES, Gilmar Nogueira.

O dirigente conta que dessa forma se fecha o ciclo da economia circular, um conceito econômico que faz parte do desenvolvimento sustentável e que propõe que os resíduos de uma indústria sirvam de matéria-prima reciclada para esta mesma ou para outras indústrias, evitando o descarte dos resíduos na natureza, gerando poluição.

Recolhidas as tampinhas, é hora de vendê-las. O SindplastES, no entanto, não participa da venda e nem recebe pela comercialização do material. O sindicato atua apenas como intermediário do processo, identificando compradores, de preferência associados, para seus filiados.

O SindplastES, não participa da venda e nem recebe pela comercialização do material. Imagem: Banco de Imagem.

“A gente estimula, não mexe com dinheiro. A gente identifica o comprador para os parceiros, coloca o comprador em contato direto com a ONG parceira e eles negociam. A gente não interfere na negociação. Normalmente, o comprador é um associado do setor no Estado, para a gente saber, de fato, no que o material foi transformado. Muitos viram caixas de transporte de verduras para o agronegócio, em mangueiras e outros produtos”, afirma.

Quando a coleta é realizada nas escolas, a criançada também lucra. “Por exemplo, nós iniciamos um projeto piloto na Prefeitura da Serra e, em uma escola, em três meses, eles arrecadaram 600 kg de tampinha. Com os recursos eles estão cuidando da horta comunitária da escola”, diz Nogueira, referindo-se à Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Manoel Vieira Lessa, localizada no bairro José de Anchieta II.

Com a chegada do Tampinha do Bem nas escolas, os alunos se mobilizam e, consequentemente, inspiram os pais dentro de casa e também o bairro.

“Há um envolvimento bem interessante da família e da comunidade. Como algumas escolas trabalham a questão da gincana, a competição provoca interesse, os pais se empolgam, eles separam [as tampinhas] em suas casas. A gente orienta para que a criança não fique na rua recolhendo. Se forem buscar em algum estabelecimento, têm que ir acompanhadas dos responsáveis. Eles recolhem e levam para a escola”, detalha o superintendente.

Ao final das gincanas, aos alunos também lucram. As turmas campeãs visitam as indústrias do setor, veem de perto o processo de reciclagem nas unidades do Serviço Social da Indústria (Sesi) ou do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e, para a alegria geral da criançada, o prêmio é um festival de sorvetes. Ao todo, 20 mil alunos participam do programa – um contingente que deve dobrar com o ingresso de novas escolas.

O plano é levar o Tampinha do Bem para todas as escolas municipais do Espírito Santo e também nas unidades de ensino e demais instituições estaduais. “A vice-governadora [Jacqueline Moraes] achou interessante, gostou do programa”, relata Nogueira. Atualmente, o programa existe em todos os municípios onde há Sesi e Senai e, até o final do ano, projeta o superintendente, deve chegar a 160 escolas somente na Serra.

Parcerias são negociadas também com as prefeituras de Vila Velha e Cariacica e vão começar a ser discutidas com a de Vitória, enquanto as de Fundão e Ibiraçu já demonstraram interesse. Para ampliar ainda mais o alcance do programa, tratativas também ocorrem com representantes da rede privada de ensino. “Já estamos em fase de assinar a parceria para implantar em todas as escolas particulares do Estado”, revela.

“Adulto só muda o modelo mental se for multado. A gente não quer ficar multando adultos. É melhor a gente buscar a conscientização das crianças que acabam os pais se envolvendo. Eu não quero ter chamada a minha atenção por causa do meu filho. Então, a gente acaba se envolvendo, invertendo a ordem natural do pai, educando, conscientizando. Os filhos acabam sendo a peça de transformação das famílias”.

Mesmo que o foco sejam crianças e adolescentes, que serão os adultos de amanhã, ainda é preciso conscientizar muitos adultos de hoje. Por isso Gilmar Nogueira cobra o efetivo cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010).

“Existe a legislação, é o que a gente tem buscado em nível nacional, uma discussão que ocorre em todos os sindicatos é exatamente a prática da economia circular em toda a sociedade. Com a economia circular, o produto volta de outra forma, em outro processo. Assim você ajuda na economia, porque o produto vai ser reinserido na cadeia de consumo, ele não fica na natureza, gera emprego, desenvolvimento”, conclui.

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