quarta-feira, 18 de maio de 2022
25.9 C
Vitória

Peritos e médicos-legistas protestam em Vitória por melhores salários e autonomia

Peritos e médicos-legistas da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) realizaram um protesto nesta quinta-feira (24) em Vitória. Os manifestantes reivindicavam mais autonomia aos profissionais e melhores salários. O ato interditou uma faixa da Avenida Reta da Penha, no sentido Serra, antes de ser encerrado, por volta de 12h30. Na sequência, divulgaram uma carta aberta endereçada ao governador Renato Casagrande (PSB) cobrando providências e o cumprimento de promessas.

Os manifestantes levavam cartazes com os anseios dos peritos capixabas. “Autonomia funcional é Lei. Cumpra, Governo! Polícia Científica manietada, crimes sem castigo! Pior salário do País!”, era a mensagem de um cartaz. Em outro, havia a informação de que os profissionais realizam 360 mil atendimentos anuais à população, antes de encerrar o texto também criticando a remuneração local.

Os manifestantes levavam cartazes com os anseios dos peritos capixabas. Imagem: Divulgação/Sindiperitos-ES

“Sempre colocamos o interesse público em primeiro lugar, acima das nossas próprias aspirações pessoais, por entendermos que é uma missão fomentar a polícia e a justiça com provas científicas. Acreditamos que o senhor nos conduziria à valorização e ao reconhecimento real; fornecer-nos-ia condições de trabalho dignas, corrigindo uma aberração histórica e injustificável com a perícia oficial do Estado. Sim excelência, somos motivo de vergonha nacional”, diz trecho da carta aberta a Casagrande.

De acordo com o Sindicato dos Peritos Oficiais e Médicos-Legistas do Espírito Santo (Sindiperitos-ES), o salário pago aos profissionais no estado é de R$ 5,7 mil, menos da metade da média nacional, hoje em R$ 12,6 mil. Os pedidos levados à manifestação desta quinta também incluem o cumprimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), instituído nacionalmente em 2018.

“O senhor foi aos meios de comunicação falar em valorização, o senhor colocou como objetivo aproximar as carreiras dos servidores da média nacional. Qual a justificativa para fingir que a perícia não existe? Fingir que não somos o pior salário do país? Ignorar que recebemos metade do valor pago ao penúltimo colocado no ranking de salários da perícia oficial no país? Fingir que somos um dos poucos estados onde a perícia ainda não é autônoma?”, questiona o documento.

Peritos atearam fogo em um caixão durante o protesto. Imagem: Divulgação/Sindiperitos-ES

Como em outras mobilizações recentes, os peritos e médicos-legistas dispuseram caixões no chão e cobertos com jalecos da perícia criminal, usados pelos trabalhadores, e atearam fogo. Também participaram policiais civis e outros servidores que integram as forças de segurança vinculadas à da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).

“Não reduza nossa luta por justiça a uma luta por salários. Lutamos também pela população, pelas vítimas, pelos familiares das vítimas e pelos inocentes injustamente acusados”, acrescenta a carta, que chega a citar o “prefeito de Vitória” como cumpridor de compromissos assumidos em contraponto ao governador.

Reajustes

Peritos oficiais e criminais e também os médicos-legistas são apenas algumas das categorias da segurança pública capixaba que reivindicam melhores remunerações. O pleito é encapado pela Polícia Civil, que abriga esses profissionais, Polícia Militar (PMES), Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), agentes penitenciários e socioeducativos. Todos cobram reposição inflacionária de 16,10%.

A categoria alega que os salários no Espírito Santo estão defasados. Imagem: Divulgação/Sindiperitos-ES

O índice tem como base a soma da inflação registrada nos dois últimos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, o índice fechou em 4,52%, o maior desde 2016 (6,29%), e superior ao centro da meta do governo federal para o período (4%). Em 2021, chegou aos 10,06%.

A reposição de acordo com a inflação foi decidida, segundo a Frente Unificada de Valorização Salarial (FUVS), pelo próprio Casagrande. À época das negociações, definiu-se que, além da recomposição com base na inflação, os servidores da segurança pública teriam direito a 12% de reajuste salarial, de forma fracionada, sendo 4% anuais até 2022. A concessão foi apelidada de “quá-quá-quá”. A correção deste ano, concedida em julho, está mantida.

Há diferença no índice para soldados da PMES, cujo salário base na tabela de referência de julho de 2021, ainda vigente, é de R$ 3.388,74, um dos menores do Brasil para a categoria, segundo a ACS. Com o objetivo de melhorar a posição em relação às demais polícias militares do país, o reajuste para a patente no Espírito Santo seria de 16%.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Moderação de comentário está ativada. Seu comentário pode demorar algum tempo para aparecer.

Relacionados

- Publicidade -